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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Alex Lifeson e o Phase Shifter (PHASER/ SETUP)

Alex Lifeson 

e o 

Phase Shifter

Alex Lifeson 
Aleksandar Zivojinovic, mais conhecido como Alex Lifeson, guitarrista da banda canadense Rush, é comumente citado como um dos mais famosos adeptos do efeito de chorus no mundo do rock, ao lado de músicos como Andy Summers (The Police) e Johnny Marr (The Smiths). Porém, o que muitos ignoram é que Lifeson possui uma trajetória marcante com o próprio Rush que antecede o lançamento comercial deste efeito.

Antes de mergulhar no universo do chorus, Alex Lifeson era um usuário assíduo de outro efeito de modulação: o phase shifter ou, simplesmente, phaser. Vários clássicos do início da carreira do Rush apresentam um proeminente efeito de phasing. Cortesia de um antigo - e há muito descontinuado - Phase Shifter, da Maestro.


O Phase Shifter de Oberheim

Projetado por Tom Oberheim, o PS-1 Phase Shifter é um phaser de 06 estágios que, diferentemente de outros modelos de phaser, não foi criado com o objetivo de simular o efeito de flanging de fita, mas sim o som rotativo de uma caixa Leslie. Ele conta com um recurso atípico em se tratando de phasers: a mudança de velocidade do efeito - que pode ser alterada pelo acionamento de qualquer um dos 03 switches coloridos que ativam os diferentes tipos de "phasing effects" - se dá de maneira gradativa (ramp up - "acelerando" - ou ramp down - "desacelerando"), de forma similar ao que ocorre numa Leslie.

Oberheim e algumas de suas criações, 
incluindo o Phase Shifter (segundo da esquerda para a direita).

Introduzido em 1971, pela empresa norte-americana Maestro - que anteriormente já havia lançado diversos outros efeitos clássicos, como o delay de fita Echoplex (c.1959), o FZ-1 Fuzz-Tone (1962), o multiefeitos G1 Rhythm 'N Sound For Guitar (c.1968) e o RM-1A Ring Modulator (1970), este último também projetado por Oberheim - , o PS-1 Phase Shifter tornou-se um enorme sucesso de vendas. O modelo não é exatamente um pedal, mas uma unidade de mesa, não apresentando em seu chassi um footswitch para o acionamento do efeito.

PS-1A Phase Shifter com a guitarra

Porém, a unidade conta com um pedal controlador externo opcional (PSFS-1 ou PSFS-2 Phase Shifter Footswitch), com 03 footswitches, que permite alternar entre os 03 tipos de "phasing effects", com diferentes velocidades ("slow phase", "medium phase" e "fast phase") de modulação.

PSFS-1 Phase Shifter Footswitch

O Phase Shifter foi comercializado em 03 versões diferentes: PS-1, PS-1A (a mais comum) e PS-1B, respectivamente. Sendo que o PS-1B  possui um knob adicional para o ajuste fino de velocidade da modulação ("variable speed"), localizado próximo ao switch "power on/off".

PS-1B Phase Shifter com um sintetizador

O Phase Shifter, da Maestro, foi um dos primeiros modelos de phaser a ser disponibilizado, ao lado da unidade de rack PS101 Instant Phaser, da Eventide Clockworks e da unidade autônoma Countryman Phase Shifter Type 967. Logo em seguida, chegariam ao mercado phasers em formatos mais compactos, como o pedal MXR Phase 90 e, um pouco mais tarde, o Electro-Harmonix Small Stone.

Clones do Phase Shifter também foram lançados com os nomes de Shin-ei RM-29 Resly Machine, Pax Phase Shifter e Rands RM-29 Resly Machine.


De Rush (1974) a All the World's a Stage (1976)

O efeito de phasing gerado pelo PS-1 Phase Shifter aparece com destaque nos 05 primeiros álbuns do Rush: Rush (1974),  Fly by Night (1975), Caress of Steel (1975), 2112 (1976) e no álbum duplo ao vivo All the World's a Stage (1976). Nessa fase da carreira da banda, os efeitos usados por Lifeson eram, basicamente, um pedal de volume da Morley; um pedal de wah Cry Baby "vintage"; o Phase Shifter, da Maestro; e um delay de fita Echoplex, também da Maestro. O efeitos de saturação eram provenientes, em geral, de cabeçotes Marshall Model 1987 - Lead 50w ("JMP era"), com 01 gabinete 4x12", e, excepcionalmente, de um Fuzz Face.

Alex Lifeson utilizou o phaser em diferentes contextos dentro dos arranjos. Ora em levadas rítmicas com som "limpo", ora com acordes arpejados ou combinando o efeito de modulação com o drive do amp para bases e, mais raramente, em solos. Confira nas músicas abaixo:

Rush (1974): álbum de estréia da banda. Podemos ouvir o efeito nas faixas (3) "Take a Friend" - durante o solo -, (4) "Here and Again", (6) "In the Mood e (7) "Before and After".

Rush

- Fly by Night
(1975): destaque para as faixas (1) Anthem, (4) By-Tor and Snow Dog, (5) Fly by Night e (8) In the End.

Fly by Night

- Caress of Steel (1975): em (3) "Lakeside Park" (ouça no vídeo abaixo) e também nas faixas (4) "The Necromancer" e (5) "The Fountain of Lamneth" - nesta especialmente em sua terceira parte, "No One at the Bridge".

"Lakeside Park" (Caress of Steel)

- 2112 (1976): nas faixas (1) "2112" (que ocupa todo o lado A do LP original) e (6) "Something for Nothing".

2112

Ouça as versões ao vivo de várias das faixas citadas acima no álbum duplo All the World's a Stage (1976):

All the World's a Stage

A Farewell to Phase Shifter

A partir do álbum A Farewell to Kings (1977), Lifeson "aposentaria" seu Maestro Phase Shifter substituindo pelos efeitos de chorus - obtido com um amplificador Roland JC-120 Jazz Chorus ou, mais frequentemente, com um pedal Boss CE-1 Chorus Ensemble -,

Boss CE-1 Chorus Ensemble

flanger - um Electric Mistress, da Electro-Harmonix. Ambos tornariam-se os efeitos de modulação preferidos de Lifeson na fase de maior sucesso comercial da banda e permaneceriam desde então fortemente associados ao seu estilo e à sonoridade particular do guitarrista. 

Electro-Harmonix Electric Mistress

O efeito de phasing reapareceria apenas esporadicamente nos álbuns seguintes do Rush. E ainda mais raro seria o uso do modelo vintage da Maestro, um "clássico" usado também por vários outros grandes músicos, como John Paul Jones (Led Zeppelin), John McLaughlin (Mahavishnu Orchestra), Steve Howe (Yes), Ernie Isley (Isley Borthers) e Randy Rhoads (Quiet Riot).

Maestro PS-1A Phase Shifter

Versão francesa

Atualmente a empresa francesa Heptode oferece a sua versão do efeito: o modelo compacto Virtuoso Phase Shafter, que podemos conferir no vídeo abaixo.

Heptode Virtuoso Phase Shifter 

sexta-feira, 31 de março de 2017

Os "klones" do Centaur (BOOSTER)

Os "klones" do Centaur


Lançado em 1994, pela Klon, o Centaur Professional Overdrive continua sendo, 23 anos após o seu surgimento, o pedal mais aclamado pelos guitarristas de todo o mundo. Desenvolvido e feito à mão pelo projetista norte-americano Bill Finnegan, o modelo pode ser visto nos pedalboards de muitos dos maiores guitarristas do planeta.

"Gold" Centaur

Frequentemente intitulado "rei dos transparent overdrives", pode-se dizer que o Centaur deu origem a esta subcategoria de pedais. O modelo trata-se, em essência, de um booster extremamente versátil. Na prática, o Centaur pode atuar tanto como overdrive, quanto como clean booster, mas brilha de verdade quando é usado para ajudar a moldar o som de um setup, funcionando como um preamp booster.  A ideia aqui é proporcionar um ajuste fino do som, mas sem alterar excessivamente o timbre original.

Inspirado na riqueza harmônica resultante de um amplificador Fender Twin Reverb trabalhando entre os volumes 6 e 7, o modelo emprega clipagem de diodos e tende a reforçar razoavelmente as frequências médias do som original. Diferentemente de outro clássico, o Tube Screamer, o som do Centaur é mais aberto, não apresenta perda significativa das frequências mais graves, nem um médio tão proeminente como o daquele, além de funcionar excepcionalmente bem como um preamp/clean booster.


O ataque dos "klones"

Devido ao seu enorme sucesso "de crítica e público", o Centaur é hoje um dos pedais mais clonados do mercado. Fenômeno que acabaria levando seu criador, Bill Finnegan, a descontinuar o modelo. Neste artigo destacaremos 10 modelos para você comparar e avaliar. Incluindo também o KTR, versão compacta do original feita pelo próprio Finnegan. São eles:

1) JHS Klon Clone
2) Monsterpiece Fuzz Stud Overdrive
3) Velvet Pedals Minotaur 
4) Klon KTR
5) Fredric Effects Zombie Klone 
6) Pedal Monsters Klon Klone
7) ARC Effects Klone V2
8) Electro-Harmonix Soul Food
9) J. Rockett Audio Designs Archer 
10) Wampler Tumnus 


1) JHS Klon Clone (c. 2010)

Com o sugestivo nome de Klon Clone, mas também conhecido pelo não menos criativo nome de Klon Replica, a versão da JHS é reconhecidamente um dos mais conceituados "klones" do Centaur. No entanto, o modelo foi  descontinuado em 2012, com o lançamento do KTR, pela Klon, graças a um acordo feito entre a JHS e Bill Finnegan.


JHS Klon Clone vs "Gold" Centaur


2) Monsterpiece Fuzz Stud Overdrive (c. 2011)

Este modelo apresenta o diferencial de contar com uma minichave do tipo "liga-desliga" para bateria, assim não é necessário desplugar o jack de entrada do pedal quando o setup não estiver sendo usado, evitando que a bateria fique descarregada.


"Silver"Centaur vs Stud Overdrive


3) Velvet Pedals Minotaur (c.2011)

Batizado com o nome de outro ser mitológico, o Minotaur - tal qual o Centaur - também exibe o desenho da criatura que lhe dá nome em seu chassi. Apesar do modelo contar com um sistema de bypass bufferizado, como o original, a Velvet Pedals também aceita encomendas para versões com bypass verdadeiro.

Minotaur vs Centaur


4) Klon KTR (2012)

Desenvolvido pelo próprio Bill Finnegan, o KTR é basicamente uma versão menor do modelo original, com bypass selecionável (verdadeiro ou ativo) e fonte padrão Boss de 9v DC. Quanto ao significado da sigla KTR, Finnegan não se pronunciou, mas há quem aposte em "Klon The Reissue"...

Klon KTR vs "Silver" and "Gold" Centaurs


5) Fredric Effects Zombie Klone (c.2012)

Versão inglesa do Centaur, o Zombie Klone pode ser encontrado em formatos compactos, nos padrões "Z.Vex" (MkI) e "Xotic" (MkII).

Zombie Klone vs Klon KTR


6) Pedal Monsters Klon Klone (c. 2012)

Diferentemente do original, o Klon Klone oferece chaveamento true bypass, um atributo desejado por muitos guitarristas.




7) ARC Effects Klone V2 (c.2013)

Este modelo apresenta como diferencial, em relação ao seu antecessor - o ARC Effects Klone (c.2012) - um DIP switch interno que permite adicionar um reforço para as frequências mais graves ao som original, aumentando ainda mais a versatilidade do pedal.

Klone V2 vs Centaur


8) Electro-Harmonix Soul Food (2014)

Versão compacta e bem mais acessível do Centaur, feita pela Electro-Harmonix, de Mike Matthews. Possivelmente é o modelo com melhor relação custo-benefício dentre os citados. Assim como o KTR, oferece bypass selecionável, neste caso, por meio de uma chave interna.


"Silver" Centaur vs E-H Soul Food


9) J. Rockett Audio Designs Archer (c. 2014)

Para quem não sabe, a J. Rockett Audio Designs foi a empresa que trabalhou em parceria com a Klon, de Bill Finnegan, na produção do Klon KTR. Após Bill resolver descontinuar o modelo, a J.RAD passou a fabricar sua própria versão do pedal e lançou-o com o nome de Archer. Disponível nas versões "prata" e "ouro" (Ikon) - de forma similar ao Centaur original -, o Archer conta com um desenho de um centauro arqueiro em seu chassi. É considerado por muitos como a cópia mais fiel já lançada do Centaur.

Archer vs Centaur

10) Wampler Tumnus (c. 2015)

A versão de Brian Wampler para o Centaur conta com o diferencial de apresentar o formato reduzido de minipedal, sendo especialmente indicado para pedalboards já lotados ou para miniboards.

Tumulus vs Centaur

É bom lembrar que além dos modelos citados acima existem vários outros exemplos de clones do Centaur.


Versões brasileiras

Entre as versões brasileiras do efeito podemos citar os modelos:

- Collateral FX Klone, feito por Guilherme Nunes.


Analog Man King of Tone vs Collateral FX Klone


- TomTone Custom Effects Klone Sagitarius 

TomTone Custom Effects Klone Sagitarius 


EFX Custom Effects Kloned Centaur, feito por Eugenio Gregório.


EFX Custom Effects Kloned Centaur


Comparando diferentes modelos


E, para concluir, um vídeo bem bacana do "That Pedal Show", de Daniel Steinhardt (TheGigRig) e Mick Taylor (Guitarist magazine), comparando diferentes "klones" (Archers, Tumnus, Soul Food e RYRA Klone) com os lendários Centaurs originais da Klon - as versões "Silver" e "Gold".


That Pedal Show - Klons, Archers, Tumnus, Soul Food & Klone. What Do We Think?


Leia também o artigo sobre overdrives "transparentes" acessando o link:

quinta-feira, 16 de março de 2017

A "família" Tone Bender (FUZZ)

A família
TONE BENDER

Tone Bender "MKI"

Projetado por Gary Stewart Hurst e lançado em 1965, o Tone Bender foi a resposta britânica ao pioneiro Fuzz-Tone norte-americano.

O modelo foi desenvolvido por Hurst a partir de modificações feitas justamente em um Fuzz-Tone, de propriedade de um famoso guitarrista inglês da época (ainda hoje há dúvidas se trata-se de Vic Flick - do "James Bond Theme" - ou de Big Jim Sullivan - outro requisitado guitarrista de estúdio de então). Como o pedal não correspondia às expectativas do dono, ele acabou sendo levado para Hurst, que foi incumbido de modificá-lo para produzir um som mais encorpado e com maior capacidade de sustentação. Das modificações realizadas nasceria um novo modelo: o Tone Bender.

Gary Hurst 

O modelo acabou tornando-se um clássico e foi comercializado em numerosas versões, com diferentes nomes e sob diversas marcas.

Entre os modelos originalmente lançados pela Sola Sound (Colorsound) estão:

- Tone Bender "MK I"
- Tone Bender "MK 1.5"
- Tone Bender Professional MK II
- Tone Bender Mark III
- Tone Bender Mark IV
- Tone-Bender Fuzz
- Supa Tone Bender
- Jumbo Tone Bender


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SOLA SOUND TONE BENDER "MKI" (1965) 

Podemos considerar a primeira versão do Tone Bender - que depois passaria a ser conhecida como "MK I" - como sendo, em essência, uma versão modificada do Maestro FZ-1 Fuzz-Tone. O modelo apresenta 03 transistores de germânio (originalmente, 01 Mullard OC75 e 02 Texas Instruments 2G381) e chaveamento true bypass. As primeiras unidades apresentavam chassi de madeira e foram vendidas  diretamente por Gary Hurst, em meados de 1965.

Tone Bender "MK I" original, com chassi de madeira

Logo em seguida o modelo passou a utilizar um chassi de metal e a ser comercializado pela Musical Exchange, a lendária loja de instrumentos musicais dos irmãos Macari, em Londres.

Tone Bender "MKI"

O "MKI" também foi comercializado pela RotoSound com o nome de Fuzz Box 
Rotosound Fuzz Box "MKI"
e pela Marshall como SupaFuzz.

um raríssimo Marshall SupaFuzz com circuito de "MK I"

O modelo foi usado, entre outros, por Jeff Beck (The Yardbirds), Pete Townshend (The Who), Mick Ronson (David Bowie) e Paul McCartney (The Beatles).

Paul McCartney no estúdio com um  Tone Bender "MK I"
Entre clones, réplicas e pedais derivados podemos citar os modelos JMI Tone Bender MK I, D*A*M Tone Bender MK I, Black Cat Custom MKI Britannia e British Pedal Company Tone Bender MKI.

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SOLA SOUND TONE BENDER "MK1.5" (1966)

Apresenta um circuito similar ao de um Fuzz Face, com 02 transistores de germânio (02 Mullard OC75). Este modelo de transição entre o "MKI" e o MKII, não recebeu nenhuma nomenclatura especial na época, porém, mais tarde, passaria a ser conhecido como Tone Bender "MK1.5". O modelo começou a ser comercializado em fevereiro de 1966, e relativamente poucas unidades desta versão foram produzidas na Inglaterra.

 
Tone Bender "MK 1.5"

O modelo também foi produzido na Itália para a Thomas Organ ("US Vox") nas versões V828 e V8281 Tone Bender.


Vox V828 Tone Benders
Vox V8281 Tone Bender

A empresa italiana Jen também comercializou o modelo com os nomes de Fuzz e Tone Bender.

Jen Fuzz

Ele também foi vendido com o nome de Fuzz, sob as marcas Elka, Luxor e Unicord.

Os modelos italianos apesar de apresentarem um circuito similar ao do modelo original inglês, utilizam componentes com diferentes valores e outros tipos de transistores (geralmente, SFT), além de usarem PCB e, por isso, tendem a soar diferentes, apresentando um som menos encorpado e mais "ardido".

Também foi comercializado como Rangemaster Fuzzbug. 

Rangemaster Fuzzbug "MK 1.5"

O "MK 1.5" (ou alguma de suas versões), já foi usado, entre outros, por Andrew Stockdale (Wolfmother), Billy Corgan (The Smashing Pumpkins) e Guilherme Held (Criolo).

pedalboard de Andrew Stockdale (Wolfmother), com destaque para o seu Vox Tone Bender.

Clones, réplicas e modelos derivados: JMI Tone Bender MK 1.5, Analog Man Sun Bender, Sola Sound Tone Bender MK 1.5 (D*A*M reissue), Black Cat Custom MK 1.5 AmericanoBritish Pedal Company Tone Bender MK1.5 e Deep Trip Kryptone.

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SOLA SOUND TONE BENDER PROFESSIONAL MKII (1966)

Apresenta um circuito com 03 transistores (03 Mullard OC75 ou OC81D), baseado no "MK1.5", mas com um estágio de ganho adicional.

Tone Bender Professional MKII

Também foi vendido como Marshall SupaFuzzVox Tone Bender Professional MK II, RotoSound Fuzz Box 


Marshall SupaFuzz "MK II", Vox Tone Bender Professional MK II e  RotoSound Fuzz Box  "MK II"

Rangemaster Fuzzbug
Rangemaster Fuzzbug "MK II"

O modelo foi reeditado nos anos 1990, pela Vox, em uma versão feita à mão por Dick Denney, o criador do famoso combo Vox AC30. Em 2009, a Macari's Musical Instruments lançou uma reedição do modelo feita pela D*A*M Pedals.

O MKII foi usado por Dan Auerbach (The Black Keys), Jeff Beck (The Yardbirds), Jimmy Page (Led Zeppelin) e Joe Perry (Aerosmith), entre outros.

pedalboard de Joe Perry (2016)

Clones, réplicas e modelos derivados: JMI Tone Bender Professional MKII, D*A*M Professional MKII, Black Cat Custom Professional MKII, Deep Trip HellbenderMG Music Tony Tender, Lovepedal Bonetender e British Pedal Company Tone Bender Professional MKII, Menatone The Pork Bender, entre outros.

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SOLA SOUND TONE BENDER MARK III (1968)

Mark III, assim como o MK II, é uma versão com 03 transistores de germânio. Ele foi o primeiro modelo de Tone Bender a oferecer um controle de tonalidade, tornando-se um fuzz mais versátil que seus antecessores. A maioria das unidades fabricadas deste modelo foi comercializada sob a marca Vox

Tone Bender Mark III

O mesmo circuito pode ser encontrado no Park Fuzz Sound 
Park Fuzz Sound "Mark III"
 e no RotoSound Fuzz Box, que tornou-se famoso por ter sido usado por Jimmy Page (Led Zeppelin).

Jimmy Page com seu RotoSound Fuzz Box "Mark III", com 3 knobs

Na mesma época, também foi lançada uma versão mais rara do modelo, com apenas 02 knobs e com um circuito com 04 transistores de silício.

Tone Bender Mark III (2-knob version)

Aparentemente, ela também foi comercializada como Park Fuzz Sound.

Park Fuzz Sound "Mark III" (2-knob version)

A versão clássica do Mark III, que inclui um controle de tonalidade, é provavelmente o modelo de Tone Bender mais copiado de todos, tendo inspirado inúmeros modelos derivados produzidos por fabricantes conceituados, como Fulltone (Soul-Bender), EarthQuaker Devices (Tone Reaper e Park Fuzz Sound/ "Colby Fuzz"), JHS Pedals (Firefly Fuzz) e Analog Man (Sun Bender MK IV). Além de réplicas, como o JMI Tone Bender Mark III, o British Pedal Company Tone Bender Mark III e o RotoSound RFB1 Fuzz.
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SOLA SOUND TONE BENDER MARK IV (c.1969)

Mark IV é essencialmente um Mark III em um chassi diferente, menor.

Tone Bender Mark IV

Também foi comercializado como Carlsbro Fuzz.


Carlsbro Fuzz

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SOLA SOUND TONE-BENDER FUZZ (c.1970)

Por volta de 1971, o Mark IV teria a sua arte gráfica alterada, sendo renomeado como Tone-Bender Fuzz. Logo o modelo passaria a contar com transistores de silício em vez dos originais transistores de germânio dos modelos anteriores.

Sola Sound Tone-Bender Fuzz
(ou Tone-Bender Fuzz V.1)


Em meados dos anos 1970, ele passou a ser comercializado também em outro chassi com o nome de CSL Super Fuzz.
CSL Super Fuzz

Tone-Bender Fuzz é o modelo usado pelo baixista Justin Chancellor, da banda Tool.

pedalboard de Justin Chancellor (Tool)
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COLORSOUND TONE-BENDER FUZZ (c.1973)

Diferentemente da versão com a marca Sola Sound, este modelo apresenta um controle com a inscrição tone em vez de treble-bass e o escrito Tone-Bender acima do footswitch, além de um chassi mais largo. O circuito aparentemente é uma versão simplificada do Electro-Harmonix Big Muff π - versão Red and Black "transistor"- , com 03 transistores (que mais tarde também seria utilizado no modelo Jumbo Tone Bender).

Colorsound Tone-Bender Fuzz
(ou Tone-Bender Fuzz V.2)



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COLORSOUND SUPA TONE BENDER (1973)

Modelo com 04 transistores de silício, baseado no Electro-Harmonix Big Muff π "Ram's Head" (V.1)

Supa Tone Bender

Também chegou a ser produzido numa versão com 03 transistores, similar ao Colorsound Tone-Bender Fuzz e ao Jumbo Tone Bender (V.2).

É o modelo usado por Jonny Buckland (Coldplay) e por Steve Hackett (Genesis).

pedais de Steve Hackett (Genesis) - "Lamb-era"

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COLORSOUND JUMBO TONE BENDER (c.1975)

Apresenta um circuito com 03 transistores, que pode ser considerado basicamente uma versão simplificada do E-H Big Muff π.

Jumbo Tone Bender

Foi comercializado com diferentes chassis e nomes, entre eles B&M (Champion) Fuzz, B&M Fuzz Unit, CMI Fuzz Unit, G.B. Fuzz ou Fuzz Unit, Pro Traffic Fuzz Unit Eurotec Black Box Fuzz ModuleSeu circuito também foi utilizado no modelo Colorsound Supa Wah-Fuzz-Swell.


Colorsound Supa Wah-Fuzz-Swell

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DISCOGRAFIA SELECIONADA



-"Heart Full of Soul" (Having a Rave Up with The Yardbirds, 1965), The Yardbirds


"Over Under Sideways Down" (Yardbirds, 1966), The Yardbirds


 "Beck's Bolero" (Truth, 1968), Jeff Beck


"Communication Breakdown" (Led Zeppelin, 1969), Led Zeppelin


"The Man Who Sold the World" (idem, 1970), David Bowie;


"Star" (The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders from Mars, 1972), David Bowie


"Firth of Fifth" (Selling England by the Pound, 1973), Genesis


 "Spectral Mornings" (idem, 1979), Steve Hackett


 "Woman" (Wolfmother, 2005), Wolfmother








quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Ampeg Scrambler (FUZZ/ FUZZ OITAVADOR)

AMPEG
SCRAMBLER

SC-1 Scrambler
História

O Scrambler foi um dos primeiros fuzzes oitavadores a ser lançado comercialmente, ainda no início de 1969, pela empresa norte-americana Ampeg, famosa por seus amplificadores para baixo (SVT) e guitarra (V series/ GVT series). Num primeiro momento, foram produzidas aproximadamente 2500 unidades do pedal, que demorariam cerca de cinco anos para serem vendidas. Apesar de não ter sido um grande sucesso de vendas, o SC-1 Scrambler acabou chamando a atenção de muitos guitarristas em virtude de seu timbre único. Bastante responsivo à dinâmica do instrumentista, o modelo oferece um efeito de fuzz com oitava acima que permite o ajuste da intensidade do efeito de oitava, bem como a mixagem do som processado com o som "limpo". Na prática, trata-se de um pedal de dupla função, que pode ser usado tanto como um fuzz convencional, quanto como um fuzz oitavador. Em ajustes elevados e somado (ou não) a outros efeitos de saturação, o Scrambler tende a produzir sons bem peculiares, gerando por vezes efeitos incomuns - como o chamado octave swell -, diferentes daqueles oferecidos pela concorrência de modelos como o Octavia, o Super-Fuzz e o Blender. O pedal logo tornou-se o preferido de nomes importantes do rock psicodélico e do hard rock setentista e, com o passar do tempo, atingiria o status de pedal cult, sendo hoje um dos fuzzes mais venerados e raros do mercado.

SCP-OD Scrambler Reissue


O modelo original não possui chaveamento true bypass, nem entrada para fonte de alimentação externa - apenas para bateria de 9v - e apresenta em seu circuito 04 transistores de silício (3x 2N5306 e 1x BC169B) e 05 diodos, também de silício (1N456).

O Scrambler por dentro e por fora

O Scrambler conta somente com 02 controles: 

- Balance: controle do tipo dry-wet, que regula a mistura do som original com o som processado, na medida desejada;

Texture: ajusta a intensidade do efeito de oitava, permitindo ir do fuzz tradicional de ganho moderado ao fuzz com um efeito proeminente de oitava acima.

Obs.: É bom lembrar que o modelo, no entanto, não possibilita o uso isolado do efeito analógico de oitava acima. Este somente pode ser adicionado ao fuzz e então mixado, ou não, com o som "limpo".


Usuários famosos

- Jim McCarty (Cactus)
- John Cippolina (Quicksilver Messenger Service)
- Jon Spencer (The Jon Spencer Blues Explosion)
- Jorma Kaukonen (Jefferson Airplane)
- Steven Drozd (The Flaming Lips)
- The Edge (U2)

Acima, o Scrambler marcando presença no setup de The Edge (U2) -
 na foto, ele é o segundo pedal da esquerda para a direita, acima das unidades de rack.

Reedições, clones e modelos derivados

O circuito do Scrambler é relativamente simples e tem sido clonado por inúmeros fabricantes, resultando também em diferentes versões do clássico. Conhecido por apresentar uma perceptível queda de volume quando acionado, o projeto original é frequentemente modificado com a intenção de se corrigir este problema específico. Algumas versões inclusive contam com um terceiro knob, para o controle de volume do efeito. Eventualmente, o controle "balance" pode aparecer também com os nomes "blend" ou "mix".

Reedição

O Scrambler foi reeditado pela Ampeg em 2005, como SCP-OD Scrambler Reissue. Esta reedição é uma versão atualizada do modelo, que conta com o circuito original, mas oferece chaveamento com bypass verdadeiro e entrada para fonte de alimentação (9v DC). Alguns a consideram mesmo superior à versão original.

SCP-OD Scrambler Reissue

Clones

Entre os clones mais conhecidos do Scrambler estão os modelos:

- Creepy Fingers Pinkelephant (c.2009): os efeitos da Creepy Fingers são projetados e fabricados por Brad Davis, baixista da banda californiana de stoner rock Fu Manchu e especialista em pedais de fuzz. O Pinkelephant é a versão da empresa para o Scrambler e adiciona um controle de volume ao projeto original, além de contar com LED de status, chaveamento com bypass verdadeiro e jack de entrada para fonte de alimentação de 9v DC.

Pinkelephant

- JHS Pedals AS (c.2011): parte integrante da descontinuada série "Vintage Loft" - que presta homenagem a modelos vintage de fuzzes, fuzzes oitavadores e treble booster - o AS é a versão da JHS, de Josh Scott, para o Scrambler. Trata-se basicamente de uma cópia fiel do modelo original, apresentando de forma similar apenas 02 knobs, porém com a adição de LED de status, jack para fonte de alimentação de 9v DC e chaveamento true bypass. Foram feitas apenas 12 unidades deste modelo.

AS

- Fredric Effects Scrambled Brainz (c.2011): a Fredric Effects é uma empresa londrina que comercializa modelos compactos (no tamanho padrão MXR) feitos à mão e que primam pela simplicidade no manuseio e pelo cuidado com a arte final do produto. O Scrambled Brainz é basicamente um clone do Scrambler original que, além de oferecer chaveamento true bypass, LED de status e jack para fonte de alimentação de 9v DC, adiciona 01 controle de volume ao projeto original.


Scrambled Brainz

BYOC Scrambled Octave (c.2011): a empresa norte-americana BYOC (sigla para Build Your Own Clone) foi fundada por Keith Vonderhulls, em 2004, com a ideia de fabricar e comercializar kits de clones de pedais de efeito para serem montados pelos próprios compradores, no melhor estilo DIY. O Scrambled Octave é, segundo o site da BYOC, uma "réplica" exata do Scrambler original e, como este, apresenta somente 02 knobs. O modelo, porém, conta com LED de status, chaveamento com bypass verdadeiro e entrada para fonte de alimentação de 9v DC. Segundo o fabricante, ao contrário do modelo original, ele não apresenta o tradicional problema de queda de volume ao ser acionado.

Scrambled Octave

Versão brasileira

- EFX Custom Effects Scrambler: versão nacional, homônima do original, disponibilizada pela EFX Custom Effects, de Eugênio Gregório, sediada em São Paulo. Apresenta LED de status, chaveamento com bypass verdadeiro e entrada para fonte de 9v DC. O Scrambler, da EFX, conta com um controle adicional de tone - um recurso raro em versões do efeito -, que aumenta ainda mais a versatilidade do modelo.

EFX Scrambler


Modelos derivados

- Dan Armstrong Green Ringer (c.1973): desenvolvido por George Merriman e Dan Armstrong (que não por coincidência trabalhou em parceria com a Ampeg entre os anos de 1969 e 1971), o Green Ringer foi o primeiro modelo da lendária linha de efeitos Dan Armstrong. Como todos os modelos originais da marca, trata-se de uma unidade projetada para ser plugada diretamente no instrumento, não exatamente um pedal de efeito. O modelo conta apenas com uma chave "liga-desliga" e não oferece nenhum controle ajustável. Apesar de não possuir um circuito de fuzz propriamente dito, sendo portanto um duplicador de frequência, o Green Ringer é declaradamente "inspirado" no Scrambler. Mais tarde, seu circuito seria integrado também ao modelo Mu-Tron Octave Divider (1976), da Musitronics, que conta com a seção Ringer, para produzir o efeito analógico de oitava acima.

Green Ringer


DISCOGRAFIA SELECIONADA


"Wooden Ships" (Volunteers, 1969), Jefferson Airplane


"Long Tall Sally" (One Way... or Another, 1971), Cactus


"Evil" (Restrictions, 1971), Cactus


"Bad Stuff" ('Ot 'n' Sweaty, 1972), Cactus


"Kite" (All That You Can't Leave Behind, 2000), U2


"Convinced of the Hex" (Embryonic, 2009), The Flaming Lips


Nota:

Scramblers para baixo

Em 2015, a Ampeg lançou o modelo SCR-DI Bass DI with Scrambler Overdrive, um pedal preamp para baixo que inclui também uma seção chamada Scrambler. No entanto, apesar do nome, não se trata do circuito clássico do pedal de fuzz oitavador, mas de um efeito de overdrive projetado especialmente para baixistas. Esta seção foi  lançada separadamente em 2017, no formato de pedal individual, com o nome de Scrambler Bass Overdrive. Concluindo: nenhum dos 02 modelos citados nesta nota possui semelhança - além do nome, é claro - com o Scrambler original.

SCR-DI Bass DI with Scrambler Overdrive


Scrambler Bass Overdrive