Blog sobre efeitos de áudio para guitarra e outros instrumentos, com publicações sobre a história, o emprego e a classificação dos diferentes tipos de efeitos sonoros, voltado para instrumentistas, pesquisadores e produtores musicais.
Ao longo de sua carreira, Jimi Hendrix experimentou diferentes cadeias de efeitos, tanto em estúdio, como nos palcos. Algumas delas podem ser visualizadas nas fotos e vídeos que imortalizaram suas apresentações.
1) Monterey Pop Festival
(18/06/1967)
O único efeito plugado entre a guitarra e o amplificador é um pedal de fuzz. No caso, um FuzzFace, da ArbiterElectronics, provavelmente com transistores de germânio e modificado por Roger Mayer.
FUZZ
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GTR > FuzzFace > AMPS
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Monterey (1967)
2) Estocolmo
(09/01/1969)
O pedal de wah começou a ser usado ao vivo por Hendrix em 1967, a princípio esporadicamente, tornando-se cada vez mais frequente a partir de meados de 1968. Em 1969, o efeito aparece nos vídeos dos shows de Estocolmo (Suécia) e Londres (Inglaterra). Hendrix usava preferencialmente os modelos V846 e ClydeMcCoy, ambos da Vox.
WAH > FUZZ
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GTR > Vox Wah-Wah > FuzzFace > AMPS
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Estocolmo (1969)
3) Woodstock
(18/08/1969)
O pedal de vibe passou a ser usado por Jimi em 1969. O modelo adotado foi o U915 "Shiftee" Uni-Vibe, fabricado pela empresa japonesa Shin-ei e comercializado nos Estados Unidos pela Unicord, sob a marca Univox. O efeito de vibe foi criado pelo engenheiro Fumio Mieda e lançado primeiramente no Japão por volta de 1967.
O Octavia, fuzz com oitava acima desenvolvido por Roger Mayer, raramente foi utilizado por Jimi no palco, apesar de ter sido usado em estúdio desde o seu primeiro disco.
Nos últimos anos tem sido cada vez mais frequente o lançamento de versões compactas de pedais de vibe. Algumas versões apresentam um circuito óptico, similar ao dos modelos originais, outras não, sejam elas analógicas ou digitais. Entre os modelos mais conhecidos estão os citados abaixo. Todos eles apresentam os mesmos parâmetros básicos tradicionalmente presentes em unidades desse tipo, como os controles de velocidade (speed ou rate), intensidade (intensity ou depth), volume (level) e o seletor que permite a escolha do modo de funcionamento (tipo do efeito), entre chorus e vibrato. Controles de tonalidade (tone, color, low/hi) eventualmente também estão presentes e, junto com opções menos comuns, são listados ao lado de cada modelo.
Vibes compactos
com circuito óptico
Vibe Machine
DryBell V-1 Vibe
Machine
(c.2011): chave bright/original; entrada para pedal
de expressão (com modo speed calibration); saída bufferizada selecionável; jumperinterno, que aciona a função Leslie acceleration (opcional com pedal de expressão); symmetry e rangetrimmers ajustáveis. Com LED pulsante e bypass verdadeiro. Feito na Croácia.
TC Electronic ViscousVibe (2015): modelo digital, com modo TonePrint, footswitch com função speed ramp e entradas e saídas estéreo. Possui LED pulsante e bypass verdadeiro.
DigiTechVenturaVibe (2015): modelo digital de vibe e rotary. Oferece os modos vintage ("classic vibe"), modern ("modernvibrato") e rotary. Conta com os controles mix, tone e drive,footswitch com função speed ramp e entradas e saídas estéreo. Possui bypass verdadeiro.
Álbum clássico do guitarrista, vocalista e compositor inglês Robin Trower.
Discípulo declarado de Jimi Hendrix e ex-integrante da banda de rock progressivo Procol Harum, Robin Trower é um dos mais influentes usuários do efeito de vibe na guitarra, ao lado do próprio Hendrix e de David Gilmour, do Pink Floyd.
"Bridge of Sighs" é uma verdadeira aula de como se usa um pedal de vibe!
O efeito de vibe foi criado pelo engenheiro japonês Fumio Mieda e lançado como parte integrante da unidade multifuncional Psychedelic Machine,pela Honey,em 1967. O vibe é considerado o precursor das posteriores unidades de phase shifter e se diferencia destes principalmente pelo tipo de circuito empregado e pela sonoridade por ele obtida.
Fume Mieda, o inventor da Psychedelic Machine
A unidade apresenta 02 seções:
- Fuzz: que conta o circuito de fuzz oitavador que seria depois empregado no clássico Univox Super-Fuzz. Apresenta uma sonoridade bastante agressiva, que adiciona ao fuzz convencional um efeito de oitava acima, um pouco menos pronunciado que o de um Octavia, por exemplo. Possui os controles Expander (ajusta o nível de saturação do efeito) e Volume (nível do volume de saída), e a chave Tone, que permite a escolha entre dois modos (A e B), com diferentes ajustes de equalização.
- MoodAdjuster: com um circuito similar ao do Resly Tone RT-18. Oferece as opções tremolo, vibrato e duet (ou seja, choros). Possui os controle de velocidade Repeat Time - do tipo step-switch -, Intensity (intensidade do efeito) e Volume (volume de saída).
- A unidade possui uma chave power (liga-desliga), entrada e saída mono, entradas para dois footswitches (cancel - fuzz e mood) e o seletor variation que permite escolher entre 04 modos de funcionamento:
Direct - sem efeito algum (bypass);
Mood - apenas a seção Mood Adjuster é ativada, permitindo a seleção do efeito de modulação (tremolo, vibrato ou duet);
Fuzz+Mood - permite combinar as seções Fuzz e Mood Adjuster;
Fuzz - apenas a seção Fuzz é ativada, adicionando o efeito de fuzz oitavador, similar ao Super-Fuzz.
O modelo também foi comercializado sob as marcas Electra e Companion - nesta como Amplifier Psychedelic Machine.
Muito provavelmente este foi o primeiro registro gravado do uso de um fuzzbox. Não exatamente um pedal de fuzz, mas um circuito eletrônico projetado para produzir um timbre fuzzy de guitarra, e alocado numa caixa (box), para ser utilizado em estúdio.
O circuito teria sido criado pelo técnico de uma estação de rádio, em Phoenix, Arizona, e na época do registro pertencia ao produtor e compositor Lee Hazlewood.
Sanford Clark, Al Casey, Lee Hazlewood e Duane Eddy
Em "Go On Home", a guitarra foi executada por Al Casey, músico de estúdio membro do The Wrecking Crew (grupo de requisitados músicos de estúdio de Los Angeles, na décadas de 1960 e início dos anos 1970). Casey também participou de várias gravações de artistas como Duane Eddy, Elvis, Beach Boys e Phil Spector.
Originalmente projetado por Bob Myer, em parceria com Mike Matthews, fundador da Electro-Harmonix, o pedal de fuzz Big Muff π foi lançado por volta de 1969, nos Estados Unidos. Adotado como peça essencial no setup de guitarristas influentes, como David Gilmour e Jack White, o Big Muff continua sendo um dos pedais mais aclamados da atualidade.
Ao longo dos
anos, o modelo foi disponibilizado em inúmeras versões, apresentando
componentes com diferentes valores, intensidade de ganho variável e alterações
mais, ou menos, perceptíveis em sua curva de equalização.
Segue abaixo
uma relação das versões mais utilizadas por músicos de renome desde o seu
lançamento:
Big Muffs "vintages"
Versões lançadas nas décadas de 1970 e 1980, nos Estados Unidos.
- Triangle (c.1969): é o Big Muff original, em sua primeira versão. O Triangle, apesar das variações sonoras que podem ser observadas de uma unidade para outra, tende a apresentar uma sonoridade mais articulada e orgânica, quando comparado com versões posteriores do modelo. Em geral, apresenta médios escavados, brilho acentuado, menos graves que o modelo Ram's Head e bastante sustain, Funciona muito bem quando somado a booster-overdrives (como os modelos Tube Driver e Power Boost, por exemplo). Usado por Carlos Santana, David Gilmour (Pink Floyd), J Mascis (Dinossauro Jr.), John Lennon, Kevin Shields (My Bloody Valentine), Steve Howe (Yes) e Tony Peluso (The Carpenters).
Triangle
- Ram's Head (c.1973): possui uma sonoridade similar a do Triangle, geralmente com um pouco mais de graves, ganho e brilho. Foi comercializado em versões com as letras em vermelho/preto e violeta ("Violet" Ram's Head). Usado por David Gilmour (Pink Floyd), Ernie Isley (Isley Brothers) e J Mascis (Dinossauro Jr.).
Ram's Head
- Red and Black "transistor" (c.1976): tende a oferecer uma sonoridade um pouco mais agressiva que o Ram's Head. Seu chassi apresenta os escritos on/off (powerswitch) acima do controle tone. Foi usado por Frank Zappa e Pete Townshend (The Who).
Red and Black (com power switch)
- Red and Black "op-amp" (c. 1977): versão projetada por Howard Davis e Michael Abrams. Também conhecida como IC Big Muff π. Apresenta uma sonoridade mais crua, comumente associada ao som de bandas de rock alternativo do início dos anos 1990. Seu chassi apresenta os escritos off/on (powerswitch) acima do controle tone e é idêntico ao da versão "transistor". Usado por Billy Corgan (The Smashing Pumpkins).
Red and Black (com tone-bypass)
- Red and Black "op-amp tone-bypass"(c.1978): similar ao Red and Black "op-amp", mas oferece a chave tone-bypass, que permite remover o circuito de tonalidade do efeito. O chassi apresenta a inscrição tone-bypass acima do controle tone.
- Red and Black "transistor tone-bypass" (c.1980): similar ao Red and Black "transistor", porém com a chave tone-bypass, que permite remover o circuito de tonalidade do efeito. O chassi apresenta a inscrição tone-bypass acima do controle tone. Big Muffs "russos"
Versões lançadas na década de 1990, na Rússia.
- Civil War (c.1991): possui uma sonoridade com médios e graves reforçados. Usado por David Gilmour (Pink Floyd), John Fogerty (Creedence Clearwater Revival) e Thurston Moore (Sonic Youth).
Civil War
- Green Russian (c.1994): fabricado nas versões "tall font" (com sonoridade similar ao Civil War) e "bubble font" (mais "sujo" e agressivo). Usado por Chris Wolstenholme (b., Muse), Dan Auerbach (The Black Keys), Liming (prod. mus.) e Robin Finck (Nine Inch Nails).
Green Russian "bubble font"
- Black Russian (c.1998): foi lançado nas versões big box (com sonoridade similar ao Green Russian "bubble font") e small box (com sonoridade mais próxima a do NYC Reissue). Usado por Chris Wolstenholme (b., Muse), Flea (b., Red Hot Chili Peppers), John Frusciante (Red Hot Chili Peppers), Mike Mills (b., R.E.M.) e Pedro Sá (Caetano Veloso).
Black Russian
Big Muffs "modernos"
Versões lançadas a partir de 2000, nos Estados Unidos.
- NYC Reissue (c.2000): visualmente se diferencia das versões Red and Black principalmente por apresentar um LED indicador de acionamento acima da letra "G", entre os escritos Volume e Tone. É mais indicado para sonoridades mais modernas de rock alternativo e stoner rock. Usado por Flea (b., Red Hot Chili Peppers), Jack White (The White Stripes), Jamie Cook (Arctic Monkeys), John Frusciante (Red Hot Chili Peppers) e Rich Robinson (The Black Crowes).
NYC Reissue
- Bass Big Muff π (2008): oferece uma sonoridade similar a do Green Russian, com médios reforçados e graves bastante encorpados. Possui uma chave que permite selecionar os modos bass boost (reforço de graves), norm (Muff clássico) e dry (permite mixar o som direto com o som distorcido). Usado pelos baixistas Dé Palmeira (Adriana Calcanhotto), Dominic Aitchison (Mogwai), John Paul Jones (Them Crooked Vultures), Justin Meldal-Johnsen (Beck), Lelo (Skank), PJ (Jota Quest) e Scott Shriner (Weezer).
Bass Big Muff π
- Big Muff π with Tone Wicker (2009): possui as chaves Wicker (para o acréscimo de brilho) e Tone (que permite bypassar o circuito de tonalidade do efeito, aumentando o ganho e diminuindo a coloração do som processado). Usado por Jack White (Wanda Jackson).
Big Muff π with Tone Wicker
- Deluxe Bass Big Muff π (2013): além dos tradicionais controles de Volume, Tone e Sustain, oferece como extras os controles Blend (permite mixar na medida desejada o som direto com o som processado), Gate (noise gate, controlado em função do sinal de entrada), a seção Crossover (acionável via footswitch independente, permite ajustar os filtros HPF e LPF, para ajustar o timbre do efeito), a chave Input (que permite atenuar o sinal de entrada em 10 dB) e saída balanceada opcional. Usuários: os baixistas Bootsy Collins (Parliament-Funkadelic) e Tony Levin (King Crimson).
Deluxe Bass Big Muff π
Entre os usuários famosos de modelos Big Muff também estão Ace Frehley (Kiss), Beck, Kurt Cobain (Nirvana), Peter Buck (R.E.M.), Robert Fripp (King Crimson) e The Edge (U2).