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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Moduladores dinâmicos (EFEITOS DE MODULAÇÃO)

Moduladores dinâmicos

Efeitos de modulação são comumente pensados como unidades que utilizam um oscilador de baixa frequência (LFO) para produzir e controlar o efeito. No entanto, alguns fabricantes de pedais vêm disponibilizando em seus moduladores uma alternativa bastante interessante como fonte de modulação: o envelope resultante da dinâmica do toque do próprio instrumentista. Utilizando-se de um seguidor de envelope para descrever a amplitude do sinal de entrada, em função do qual a modulação irá atuar, tais unidades também contam com um LFO, mas permitem diferentes possibilidades de ajustes e sonoridades. 

Modelos pioneiros

Aparentemente, os primeiros efeitos de modulação a oferecerem este tipo de recurso foram lançados ainda na década de 1970, no formato de unidades de rack, por empresas norte-americanas, como a Eventide Clockworks e a extinta MICMIX Audio Products.

Instant Phaser (1971) e Instant Flanger (1976)

A Eventide (originalmente Eventide Clockworks) foi uma das empresas pioneiras nessa área, oferecendo desde seus lançamentos iniciais unidades de efeito que contam com a possibilidade de escolha entre diferentes fontes de modulação. Um dos primeiros moduladores dinâmicos a ser comercializado foi a unidade de rack PS101 Instant Phaser, famosa também por ter sido utilizada na bateria de John Bonham, na antológica "Kashmir", do Led Zeppelin. Um pouco mais tarde, seria lançado o FL201 Instant Flanger, adotado por artistas, produtores e estúdios de renome, como Kraftwerk, Tony Visconti, Mahogany Rush e Record Plant Studios.

PS101 Instant Phaser



Dynaflanger (c.1978)

A MICMIX Audio Products, de John R. Saul, ficou conhecida nos anos 1970 principalmente por fabricar unidades de reverb de alta qualidade, mas também entrou para a história por lançar o raro Dynaflanger, um dos primeiros moduladores a oferecer a opção de controle do efeito pela dinâmica do instrumentista, atuando em função do envelope. O modelo ficou famoso por ter sido usado por guitarristas influentes, como Frank Zappa e Mark Knopfler (Dire Straits), e acabou tornando-se fonte de inspiração para modelos atuais, como os pedais Pigtronix Quantum e Keeley Bubble Tron.

Model 265 Dynaflanger


12 Moduladores dinâmicos no formato de pedal

Nos últimos anos, tem sido cada vez mais frequente o lançamento, por diferentes fabricantes, de pedais de modulação (chorus, flanger, phaser, etc.) que oferecem o recurso de controle por envelope. Foxrox Electronics, Line 6, Pigtronix, Keeley Electronics, Seymour Duncan, SubDecay e Strymon estão entre as empresas que vêm apostando nesse tipo de recurso como um novo padrão para os produtos dessa categoria de efeitos, disponibilizando um número cada vez maior de modelos que empregam essa tecnologia. Selecionamos 12 moduladores dinâmicos para você se familiarizar um pouco mais com esse "novo" universo em expansão. Nessa lista foram incluídos:
  • 03 tremolosLine 6 Tap Tremolo, Pigtronix Tremvelope e Keeley DynaTrem;
  • 02 flangersFoxrox Paradox e Line 6 Liqua-Flange;
  • 02 choruses: Strymon Ola e Seymour Duncan Catalina; 
  • 01 phaserPigtronix Envelope Phaser;
  • 01 ring modulator: Way Huge Ringworm;
  • 01 vibrato: SubDecay Siren;
  • 02 modelos multifuncionais: Keeley Bubble Tron (step filter, phaser e flanger) e Pigtronix Quantum (chorus e vibrato).

1) Foxrox Electronics Paradox TZF (2002) e Paradox TZF2 (2015)

O Paradox TZF original, de Dave Fox, foi o primeiro pedal de flanger a obter sucesso em recriar a sonoridade through-zero-flanging (TZF), típica do flanging de fita - versão do efeito utilizada nos estúdios de gravação em álbuns clássicos desde os anos 1960. Por meio do controle envelope o modelo permite combinar a dinâmica do toque do instrumentista com o ajuste do controle manual, produzindo sons únicos de flanging. Porém, de forma intencional, o Paradox foi projetado para não responder de forma tão imediata quanto um envelope filter, por exemplo. Além dos controles já citados, o modelo apresenta os tradicionais knobs de profundidade (depth), velocidade (speed) e realimentação (regeneration), e os menos frequentes controles de polaridade (negative/positive) e mix. Trata-se de um flanger analógico, com chips de BBD e saídas estéreo. Mais recentemente, uma versão compacta e modificada do modelo foi lançada: o Paradox TZF2. Entre os usuários: Frank Marino (Mahogany Rush) e Steve Stevens (Billy Idol).

Paradox TZF2


2) Line 6 Tap Tremolo (2004)

Lançado como parte da linha de pedais ToneCore, da Line 6, no rastro do sucesso do multimodulador MM4 Modulation Modeler e demais modelos da série Stompbox Modelers, o Tap Tremolo manteve todos os recursos presentes nos modelos de tremolo de seu antecessor (MM4), apesar de apresentar um tamanho reduzido. O modelo oferece 03 modos de funcionamento: Bias, Opto e Pan, e os habituais controles speed, depth e shape (forma de onda), além do inédito (no formato de pedal compacto) controle peak. Neste, um peak follower atua provocando a alteração da velocidade do efeito em função da intensidade do toque do instrumentista. Quanto mais forte for o ataque, mais rápida será a velocidade do efeito. O modelo possui saídas estéreo, o que permite que atue também como autopanner (modo Pan).

Tap Tremolo


3) Pigtronix EP-1 Envelope Phaser (c.2004) e EP-2 Envelope Phaser (2009)

O Envelope Phaser é um dos modelos mais bem-sucedidos da Pigtronix. Sua primeira encarnação, o EP-1, foi também o primeiro lançamento da empresa de David Koltai, tendo sido baseado em antigos projetos do famoso livro Electronic Projects for Musicians (1975), do guru da eletrônica Craig Anderton. No Envelope Phaser a modulação de fase pode ser controlada tanto pelo envelope, quanto por um LFO, ou pela combinação de ambos (Blend switch). A segunda versão do modelo, o EP-2, foi projetada em parceria com o engenheiro Howard Davis (ex-Electro-Harmonix), e conta com os switches "EF sweep" (up/down), que permite selecionar a direção do movimento do envelope, e "LFO smooth", que reduz a ressonância do efeito, possibilitando a recriação de uma sonoridade mais vintage, `próxima à de um Uni-Vibe. Também oferece a função Staccato, que rapidamente fecha o envelope quando ocorre uma pausa entre duas notas. O modelo possui entrada para pedal de expressão e saída mono. Entre os usuários: John Scofield, Peter Frampton, e os baixistas Victor Wooten, Juan Alderete (The Mars Volta), Aston "Family Man" Barrett (The Wailers) e Bootsy Collins (Parliament-Funkadelic).

Envelope Phaser


4) Line 6 Liqua-Flange (2005)

Outro modelo da linha ToneCore, da Line 6, o Liqua-Flange se destaca pela versatilidade. Além dos habituais controles depth, speed, feedback (regeneration) e time (manual), o modelo conta com o seletor rotativo "Wave Select" (com 11 opções de "waveforms", incluindo Envelope Down e Envelope Up) e com duas chaves: Model, que permite escolher o tipo de flanger (digital, analog liquid), e  Polarity (negative positive). O modelo possui entradas e saídas estéreo, e ainda oferece a opção de ajuste de velocidade via tap tempo.

Liqua-Flange


5) Strymon Ola dBucket Chorus & Vibrato (2010)

Desenvolvido pelo engenheiro e sound designer Pete Celi, o Ola é um pedal de chorus digital projetado para reproduzir com perfeição a sonoridade de modelos analógicos, que utilizam chips do tipo BBD. O modelo oferece 03 tipos de chorus (chorus, multi e vibrato) e 03 modos de funcionamento (normal, ramp e envelope). Conta com os controles tonemix e ramp/sens, além dos tradicionais controles depth e speed. Possui entradas e saídas estéreo. 

Ola


6) Pigtronix Tremvelope (2010)

Projetado por Howard Davis e David Koltai, o Tremvelope é um pedal de tremolo óptico, com saídas estéreo (atua também como autopanner), que permite que a dinâmica do toque do instrumentista altere a velocidade e a profundidade do efeito, para mais ou para menos, de acordo com o ajuste configurado. O switch Acceleration determina a rapidez das alterações provocadas pelo toque. O modelo possui as opções de formas de onda senoidal e dente-de-serra. É usado, entre outros, pelo guitarrista Adrian Belew (King Crimson).

Tremvelope


7) Way Huge Ringworm Ring Modulator (2011)

O Ringworm, projetado por Jeorge Tripps, oferece, além dos controles convencionais de rate, width e frequency (que controla a afinação do oscilador interno), 03 diferenciais em relação a seus concorrentes na categoria: o controle Blend, que permite combinar na medida desejada o som direto com o som processado; a chave rotativa Mode, que possibilita a seleção de diferentes tipos de formas de onda e inclui a opção Envelope (primeiro modo a ser demonstrado no vídeo abaixo), que faz com que o efeito responda à dinâmica do toque do instrumentista; e uma entrada para pedal de expressão, que permite que o instrumentista possa controlar com o pé, em tempo real, o ajuste do parâmetro Freq. Entre os usuários: Joe Bonamassa

Ringworm


8) SubDecay Siren Pitch Vibrato (c.2013)

Projetado por Brian Marshall, da SubDecay, o Siren é um raro pedal de vibrato que oferece a opção de controle do ajuste de velocidade do efeito por meio da dinâmica do instrumentista. O controle Enchant (sensitivity) permite ajustar a forma com que o efeito irá responder ao toque, acelerando ou desacelerando a velocidade da modulação. Assim é possível produzir variações do efeito por meio de alterações na intensidade da palhetada. 

Siren


9) Pigtronix Quantum Time Modulator (2013)

Declaradamente inspirado no som de Frank Zappa e seu Dynaflanger - que pode ser ouvido, por exemplo, no álbum "Shut up and Play Yer Guitar" (1981) - , o Quantum é um pedal de chorus e vibrato no qual o efeito de modulação pode ser controlado via LFO e/ou Envelope. Desenvolvido a partir de uma demanda de Dweezil Zappa, que desejava uma unidade compacta que fosse capaz de fazer o trabalho do Dynaflanger de seu pai, o modelo pode alcançar também sonoridades próximas à de unidades clássicas mais robustas, como o Roland Dimension D SDD-320 e o TC 1210 Spatial Expander + Stereo Chorus/Flanger. O Quantum conta com 02 circuitos de chorus analógicos em paralelo, podendo ser ligado em mono ou em estéreo, via cabo TRS. Entre os usuários: Andy Summers (The Police), Dweezil Zappa e Guthrie Govan (The Aristocrats).

Quantum


10) Keeley Electronics DynaTrem (2015)

O DynaTrem, como o nome sugere, é um tremolo dinâmico, cujos controles de velocidade (rate) e intensidade (depth) respondem ao toque do instrumentista. O modelo possui 03 modos: Dynamic Rate, onde a velocidade do efeito é controlada pelo toque do instrumentista (quanto mais forte o ataque, mais rápida será a velocidade do efeito); Dynamic Depth, onde a intensidade do efeito responde à palhetada (quanto mais forte o ataque, maior a intensidade do tremolo); e Harmonic Tremolo + Reverb, que oferece um tremolo harmônico com reverb, no qual o reverb pode ser ajustado pelo controle Shape. O modelo oferece 04 tipos de formas de onda: senoidal, quadrada, ramp up e ramp down. Desde a unidade de número 300, o DynaTrem passou a disponibilizar também  mais um modo: o tremolo padrão (standard tremolo), que utiliza forma de onda triangular.

Dynatrem


11) Seymour Duncan Catalina Dynamic Chorus (2016)

O Catalina é um pedal de chorus/doubler dinâmico que pode ter o parâmetro depth controlado pela dinâmica do instrumentista. Para isso, basta acionar o modo Dynamic Expression, via footswitch independente, que oferece 02 opções: hard e soft. O modelo conta ainda com saídas estéreo e com os controles de tonalidade (LPF), delay (para ajuste do tempo de delay das modulações) e threshold (ajuste de sensibilidade para o modo dinâmico). 

Catalina


12) Keeley Electronics Bubble Tron (2016)

O Bubble Tron, de Robert Keeley, é um pedal do tipo 3 em 1. Ele oferece 03 modos: Filter, Phase e Flange. O modo Filter é um step filter; o Phase é, na verdade, composto de 02 phasers - um padrão e outro dinâmico -, que podem ou não ser combinados, e que atuam em paralelo, apresentando varreduras em direções opostas; e o modo Flange, baseia-se no antigo Dynaflanger, da MICMIX, no qual o tempo de delay é controlado pela dinâmica do instrumentista. O modelo conta com entrada e saída mono.


Bubble Tron


É sempre bom lembrar que, além dos modelos citados acima, existem atualmente várias outras opções de moduladores dinâmicos, de diferentes fabricantes, como os phase shifters Empress Phaser (2010) e DigiTech HardWire SP-7 Stereo Phaser (2011), e o tremolo Electro-Harmonix Super Pulsar (2015), por exemplo.


Multimoduladores

Alguns modelos de multimoduladores também oferecem a opção de seleção do modo envelope como fonte de modulação. No MM4 Modulation Modeler (2000), da Line 6, o controle de envelope (no caso, volume sensing) está disponível em modelos como Bias Tremolo, Opto Tremolo, Pitch Vibrato, Vibe e Panner. No ModFactor (2008), da Eventide, os modos envelope e ADSR podem ser selecionados para a maioria dos efeitos. Já o Mobius (2013), da Strymon, oferece a opção envelope apenas para alguns poucos, como o Quadrature (Ring Modulator AM/FM, Frequency Shifter) e o Filter.

 Ouça Frank Zappa e o Dynaflanger em "Joe's Garage"

terça-feira, 18 de julho de 2017

Pedais de Vibrato (VIBRATO)

PEDAIS DE
VIBRATO

Malekko "Omicron" Vibrato
Vibrato

O vibrato é um efeito de modulação de frequência, ou seja, que resulta de alterações cíclicas na afinação das notas. Na guitarra, este tipo de efeito pode ser obtido de diferentes maneiras: seja através do vibrato físico, produzido manualmente pelo instrumentista; do vibrato mecânico, com o emprego da alavanca de vibrato e pitch bending da guitarra; ou do vibrato eletrônico, que consiste em um circuito especialmente projetado para este fim, tenha ele o formato de pedal ou não. Apesar de ser um recurso bastante antigo, o vibrato eletrônico ainda é relativamente pouco empregado, se comparado a outros efeitos de modulação.

O vibrato, como efeito de áudio projetado para a guitarra, surgiu nos anos 1950, na forma de um circuito eletrônico valvulado (vibrato valvulado) que era integrado a alguns modelos de amplificadores, de fabricantes como Magnatone Vox/JMI. Nos anos 1960, o efeito ressurgiu como um dos modos dos pedais de vibe - que buscava emular o som do scanner vibrato dos antigos órgãos Hammond -, tendo sido adotado entre outros por Jimi Hendrix e, um pouco mais tarde, Robin Trower. A partir dos anos 1980, uma outra variante de vibrato tornou-se disponível: o vibrato de BBD. Esta é a versão do efeito utilizada por alguns dos guitarristas mais influentes no cenário do rock alternativo, como Nels Cline (Wilco), Omar Rodríguez-López (The Mars Volta) e, no Brasil, Gabriel Thomaz (Autoramas) e Fernando Catatau (Cidadão Instigado).


Analog Outfitters The Scanner (2015), unidade de scanner vibrato e reverb de molas.
canal no YouTube: Reverb
link: https://www.youtube.com/watch?v=ol9rbPiUXb0

Nota: 

O scanner vibrato original - criado por John Hanert - foi o primeiro tipo de vibrato eletrônico a ser desenvolvido, tendo sido instalado em órgãos Hammond a partir da segunda metade da década de 1940. Este tipo de vibrato precedeu inclusive o vibrato valvulado dos antigos amplificadores Magnatone, da década de 1950.


Tipos de Pedais de Vibrato

Os pedais de vibrato podem ser divididos em 03 grupos principais. de acordo com o tipo de vibrato produzido:

- Vibrato "clássico": é aquele que busca emular a sonoridade do vibrato valvulado, originalmente produzido por circuitos eletrônicos que eram instalados em alguns modelos de amplificadores vintage.
Electro-Harmonix Wiggler


- Vibrato "óptico": é produzido por modelos que utilizam um circuito óptico - com lâmpada (ou LED) e fotoresistor(es) - para gerar o efeito. Nesta categoria estão incluídos também os pedais de vibe, que possuem um modo vibrato.
SiB! Mr Vibromatic

- Vibrato "moderno": é aquele que gerado por unidades que utilizam chips de BBD em seu circuito ou que são projetados para emular a sonoridade de modelos que os utilizem.
TC Electronic Shaker

VIBRATO "CLÁSSICO"

No universo da guitarra, o que se costuma chamar de vibrato "clássico" é aquele que se baseia no efeito de vibrato produzido pelos circuitos valvulados que eram instalados em antigos amplificadores dos anos 1950, como os modelos da série Custom 200, da Magnatone, ou as primeiras versões dos combos Vox AC15 e AC30, feitas pela JMI. Via de regra, é um efeito de vibrato mais sutil, que muitas vezes é combinado com o tremolo (modulação de amplitude). 

No formato de pedal, esse tipo de efeito é comumente encontrado em unidades de dupla função, que oferecem ambos os efeitos: tremolovibrato. Alguns modelos são realmente valvulados ("real tube vibrato"), outros não, sendo porém projetados para emular o vibrato produzido por circuitos valvulados. O vibrato "clássico" foi um dos últimos tipos de vibrato a se tornar disponível no formato compacto de pedal.

Vox Cooltron VibraVOX
Exemplos de modelos:

VIBRATO/ TREMOLO

- Carl Martin TremO'vibe (c.1998)
- Marshall VT-1 Vibratrem (1998)
- Electro-Harmonix Wiggler (c.2002)
- Vox Cooltron VibraVOX (c.2006)


VIBRATO "ÓPTICO"

Como o nome sugere, essa categoria de vibrato é formada originalmente por modelos que empregam um circuito óptico para produzir o efeito. Podem ser unidades dedicadas exclusivamente ao efeito de vibrato ou um pedal de vibe, que geralmente oferece 02 modos de funcionamento: chorusvibrato.

Pedais de vibe foram os primeiros a oferecerem o efeito de vibrato no formato de pedal (vibrato "faseado"). Originalmente, os pedais de vibe "clássicos" contavam com um circuito com 01 pequena lâmpada e 04 fotocélulas.  Vibes "modernos", no entanto, como os modelos MXR M68 Uni-Vibe TC Electronic Viscous Vibe, não utilizam circuitos ópticos, mas são projetados para emular a sonoridade de vibes vintages, sendo, por extensão, também incluídos nesta categoria.

SIB Mr Vibromatic
Exemplos de modelos:

VIBRATO

- SiB! Mr Vibromatic (c.2004)
- Bigfoot FX MagnaVibe (c.2008)

PEDAIS DE VIBE ("Vibrato/Chorus")

- Univox Uni-Vibe (c.1968)
- Fulltone Deja'Vibe (c.1994)
- Korg Nuvibe (c.2014)
- DryBell Vibe Machine V-2 (2016)

DryBell Vibe Machine V.2 - modo vibrato a partir de 9:17


VIBRATO "MODERNO"
(vibrato de BBD)

Essa categoria de pedais de vibrato foi inaugurada nos anos 1980, pelo Boss VB-2 Vibrato, que apresenta um circuito analógico baseado na utilização de chips do tipo BBD. Versões digitais do efeito também são comuns, principalmente em unidades de multiefeitos e de modelação. Alguns modelos da categoria também oferecem o efeito de chorus.

Boss VibratoVB-2 vs VB-2w
Exemplos de modelos:

VIBRATO

- Boss VB-2 Vibrato (1982) 
- Malekko "Omicron" Vibrato (c.2009)
- TC Electronic Shaker (c.2011)
- Boss "Waza Craft" VB-2w Vibrato (2016)
- EFX Vibratoramas (2017)

CHORUS/ VIBRATO

- Dr. Scientist Cosmichorus (c.2005)
- BBE Mind Bender (2007)
- Diamond Vibrato (c.2007)
Chase Bliss Warped Vynil (c.2013)

Diamond Vibrato

Obs.: Alguns pedais de chorus também apresentam um modo chamado vibrato mas, em boa parte deles, o efeito que podemos ouvir quando selecionamos este modo não é um vibrato verdadeiro (true vibrato). Em vez disso, o que ouvimos é apenas um efeito de chorus mais radical. Exemplo: Boss CE-1 Chorus Ensemble.


Boas vibrações!!!

Mesmo sendo um dos efeitos de modulação mais antigos que existem, o vibrato em si não tornou-se um efeito tão popular quanto o chorus ou o tremolo, por exemplo. Talvez por isso mesmo continue sendo uma das opções favoritas para aqueles que buscam por um efeito de modulação menos usual e ao mesmo tempo versátil, capaz de produzir desde efeitos sutis de modulação até sons exagerados de oscilação de afinação.

Comparando diferentes modelos de vibrato
"Four Fabulous Vibrato pedals Compared - What Can You Do With Them?"
(That Pedal Show)
www.thatpedalshow.com


Alguns dos guitarristas mais interessantes do cenário musical atual contam com ao menos uma opção de vibrato em seu arsenal, isso quando não utilizam várias das diferentes versões do efeito, acessíveis hoje. Este é o caso, por exemplo, do guitarrista Nels Cline, da banda norte-americana Wilco. Cline é um especialista no uso de efeitos e pesquisador incansável de suas infinitas possibilidades sonoras. Confira o seu setup abaixo:

O pedalboard 1 de Nels Cline (Wilco) conta com 03 unidades capazes de produzirem diferentes tipos de vibrato: o Bigfoot FX MagnaVibe (amarelo, à esquerda), o Boss VB-2 Vibrato (azul, acima ao centro) e o pedal de vibe Fulltone Mini-Deja'Vibe (branco, à direita, ao lado do Whammy).


Rig Rundown - Wilco's Nels Cline (Premier Guitar)
www.premierguitar.com

segunda-feira, 5 de junho de 2017

O Tremolo e as Formas de Onda (TREMOLO)

Tremolo

tremolo (ou tremelo) é um efeito de modulação subtrativo que produz variações constantes de volume, alternando periodicamente a amplitude de um sinal de áudio. É um dos efeitos de áudio mais antigos de que se tem notícia e também um dos que mais tem evoluído nos últimos anos. Na guitarra, começou a ser empregado ainda na década de 1940. No anos 1950, vários fabricantes já ofereciam o efeito integrado em seus amplificadores. E a partir dos anos 1960, seria popularizado também no formato de pedal individual.

Catalinbread Semaphore Tap Tempo Tremolo

Tipos de tremolo

De uma forma geral, as unidades de tremolo podem ser classificadas de acordo com 03 diferentes critérios:

- Em função do circuito empregado, geralmente baseado no uso de um LFO (tremolo de biastremolo óptico ou tremolo harmônico);

- Em função da variedade de recursos apresentados (tremolo convencional, auto panner, slicerpattern tremolo, etc.);

- Ou, em função da(s) forma(s) de onda(s) empregada(s), ou seja, senoidal, triangular, quadrada, dente-de-serra, etc.

Neste artigo trataremos especificamente deste último caso, classificando as unidades de tremolo quanto às formas de ondas oferecidas.

LFO 

LFO é a sigla utilizada para low-frequency oscillatorem português, oscilador de baixa frequência. Podemos dizer que um oscilador de baixa frequência é um circuito eletrônico gerador de frequências inaudíveis - geralmente abaixo de 20Hz -, comumente utilizado como fonte de modulação. O LFO tem por finalidade modular o sinal de áudio, podendo provocar variações em sua frequência (afinação), amplitude (volume) ou na frequência de corte de um filtro, por exemplo. No caso do tremolo, trata-se da chamada modulação de amplitude, ou seja, aquela que produz uma variação cíclica no volume do sinal de áudio. Esta modulação irá apresentar características distintas de acordo com a forma de onda empregada para produzi-la.

Formas de onda
("waveforms")

A forma de onda é um dos parâmetros mais importantes de um LFO, podendo ser de um ou mais tipos. As formas de onda mais comuns são: senoidal, quadrada, triangular e dente-de-serra. 

Formas de ondas mais comuns: senoidal (sine), quadrada (square),
 triangular (triangle) e dente-de-serra (sawtooth)


Outras formas de onda, entretanto, se encontram disponíveis em diversos modelos de tremolo mais sofisticados. Além disso, muitos modelos também contam o controle shape, que permite modificar a forma de onda selecionada.


Tipos de tremolo em função da forma de onda empregada

Tremolos de onda senoidal 
(sine-wave tremolos)

É o efeito de tremolo tradicionalmente obtido pela modulação de um transistor ou de uma válvula (tremolo de bias). Este tipo de tremolo pode ser encontrado nos amplificadores mais antigos da Fender, da década de 50, como o Tremolux, o Vibro-Champ e o Princeton. Pedais de tremolo de onda senoidal estão entre os mais cobiçados por guitarristas old school, porém tendem a ser um pouco mais caros e difíceis de achar do que outras variações do efeito.

Kingsley Bard Tube Tremolo

tremolo de onda senoidal (ou sinusoidal) apresenta uma forma de onda mais arredondada, em forma de sino. A onda "verdadeiramente" senoidal ("true sine-wave") é mais difícil de ser criada, exigindo para tal a utilização de um circuito relativamente complexo. Em ajustes extremos pode se aproximar do efeito pulsante produzido pela forma de onda quadrada. De uma maneira geral, pode-se dizer que ela não é nem tão linear quanto a onda triangular, nem apresenta alterações tão abruptas quanto a onda quadrada, ficando num meio termo entre as duas. Possui uma sonoridade suave, porém marcante, apresentando um caráter mais vintage bastante musical.

Modelos

- Mad Professor Mellow Yellow Tremolo (c.2008)
Basic Audio Throbby (c.2010)
Monster Effects Swamp-Thang (c.2010)
- Kingsley Bard Tube Tremolo (c.2012)


"A Change is Gonna Come" (1965) - Otis Redding


Tremolos de onda triangular
 (triangle-wave tremolos)

tremolo de onda triangular é frequentemente associado ao tremolo óptico e muito comum no formato de pedal. O tremolo óptico se baseia no emprego de um circuito que  emprega uma pequena lâmpada, ou LED, e um fotoresistor (LDR) para produzir o efeito e, dependendo do modelo, pode utilizar diferentes formas de onda para produzir a modulação do sinal. O exemplo clássico e original de tremolo óptico de onda triangular são os efeitos produzidos pelos amplificadores da Fender da década de 60, correspondentes às eras blackface e silverface, como o Twin Reverb, o Deluxe Reverb e o Super Reverb.

Demeter Tremulator

tremolo de onda triangular se caracteriza por uma sonoridade suave, que pode ser descrita como "deslizante". Esse tipo de onda apresenta inclinações lineares, tanto na subida, quanto na descida, dando a sensação de uma "gangorra sonora". Além de ser, provavelmente a forma de onda mais usual no efeito de tremolo convencional, também é muito utilizada na função auto panner, propiciando uma alternância mais gradativa do panorama estéreo.

Modelos 

- Demeter The Tremulator (c.1982)  
Voodoo Lab Tremolo "I" (c.1995) 
Mooer Trelicopter (c.2012)
- Hotone Audio Trem (c.2013)


"Crimson and Clover" (1968) - Tommy James and The Shondells


Tremolos de onda dente-de-serra invertida
(reverse sawtooth-wave tremolos/ percussion tremolos/ repeater tremolos)

repeater, como também é conhecido este tipo de tremolo, foi desenvolvido pelos projetistas da Vox ainda na década de 1960 e lançado originalmente nos formatos de módulo, concebido para ser plugado diretamente no jack do instrumento, e como um circuito embutido em diversas guitarras produzidas pela Vox no período (entre elas, os modelos V261 DeltaV262 InvaderV267 Cheetah, V268 Ultrasonic, V275 Ultrasonic XII, V286 Grand Prix, V289 Viper, V269 Starstream e V270 Starstream XII, lançados em 1967 e 1968).

Thorpe FX Chain Home

É um tipo de tremolo mais radical, capaz de produzir um efeito que pode, em certa medida, "imitar" as repetições de uma unidade de delay, daí o nome repeater. O efeito utiliza uma forma de onda chamada dente-de-serra invertida (reverse sawtooth), que oferece um ataque pronunciado e decai de forma progressiva. Ao alcançar seu volume mínimo ela volta bruscamente ao seu pico, apresentando um desenho que se aproxima do ataque e decaimento da palhetada, criando assim a ilusão de uma repetição.  O repeater tem sido redescoberto nos últimos anos e vários fabricantes têm lançado novas versões do efeito, seja em modelos dedicados exclusivamente ao efeito ou como uma opção disponível em unidades de tremolo de multiondas.

Modelos

Vox V809 Repeat PercussionJen Elettronica PE 404 Repeat Percussion (c.1968) 
- North Effects Repeat-Percussion (c.2010)
- Magnetic Effects Electrochop (c.2013) 
- EarthQuaker Devices Hummingbird V3 (2015)
- Acid Fuzz Repeater (c.2016) 
Thorpy FX Chain Home (2017)

"How Does It Feel?" (1988) - Spacemen 3

Tremolos de multiondas
(multi-waveform tremolos)

De uma forma geral (porém, nem sempre) são modelos mais sofisticados e versáteis que os citados anteriormente. Alguns, além de oferecerem diferentes opções de formas de ondas, também podem apresentar recursos extras como tap tempo, várias possibilidades de subdivisão rítmica e controle de volume, entre outros.

Tremolos de multiondas geralmente oferecem uma ou mais das formas de ondas citadas anteriormente, além da onipresente opção de forma de onda quadrada, entre várias outras possibilidades. A forma de onda quadrada se caracteriza por uma alternância abrupta de volume, permitindo a configuração de efeitos pulsantes mais radicais do tipo "liga-desliga".


"Gasoline" (2002) - Audioslave
Modelos

02 formas de ondas

Senoidal e quadrada
- Fulltone Supa-Trem (c.1996)
Guyatone VT-X Vintage Tremolo (c.2005)
Red Witch Pentavocal Trem (2005) 

Triangular e quadrada
Boss TR-2 Tremolo (c.1997)
- Danelectro Tuna Melt (c.2001) 
- Giannini Axcess TR-107 Tremolo (c.2010)

03 formas de ondas

Senoidal, quadrada e triangular
- Frantone Electronics Vibutron (c.2002)
Guyatone VTm5 Veri Trem (2008)

Senoidal, quadrada e dente-de-serra
Lovepedal Babyface TREMolo (c.2009)
- Lovepedal Custom Effects Tremelo (c.2014)

Senoidal, quadrada e "warble"
Fulltone Supa-Trem2 (2013)

04 ou mais formas de ondas

- Cusack Tap-A-Whirl "v.1" (c.2006) - 24 formas de onda (?!)
- Diamond Tremolo (c.2009) - 04 formas de onda
 Suhr Jack Rabbit (c.2012) - 05 formas de onda 


Cusack Tap-A-Whirl "v.3"

O controle "wave"

O controle wave, ou waveform, permite selecionar a forma de onda a ser empregada. Se o seu tremolo apresenta esse controle, então trata-se de um modelo multiondas. Podemos dividir os diferentes tipos de controle wave em 02 grupos: o dos controles contínuos (rotary knobs) e o dos seletores de onda (toggle switchselector knob ou footswitch).

Controles contínuos de forma de onda: permitem realizar uma mudança gradativa da forma de onda, por meio de um knob giratório continuamente variável (rotary knob). Presentes em modelos como o Seymour Duncan SFX-07 Shape Shifter, o Boss TR-2 Tremolo, o Giannini Axcess TR-107 Tremolo e o EFX Custom Effects Tremulus Lune.

controle wave do Boss TR-2 Tremolo

Seletores de forma de onda: permitem escolher a forma de onda a ser empregada entre 02 ou mais opções fixas, previamente configuradas pelo fabricante.

O seletor de onda pode ser basicamente de 03 tipos:

"3-way waveform switch" 
do Supa-Trem 2
  • 01 chave de alternância (toggle switch - hard/soft, normal/emphasis, sine/triangle/square, etc.), como nos modelos Guyatone VT-X Vintage Tremolo, Dr. Scientist Tremolessence, Diamond Tremolo, Fulltone Supa-Trem2, Lovepedal Tremelo e Babyface TREMolo;
o "selector knob"
do Vibutron


  • 01 knob seletor (selector knob ou rotary switch), como nos pedais Frantone Vibutron, Catalinbread Semaphore Tap Tempo Tremolo Cusack Tap-A-Whirl




"wave footswitch"
do Pentavocal Trem


  • 01 footswitch extra dedicado a esta função, como no Red Witch Pentavocal Trem e no Fulltone Supa-Trem ST-1.





O controle "shape"

Algumas unidades de tremolo oferecem o controle shape (= forma, contorno, configuração), também chamado bias (não confundir com tremolo de bias) ou sway, que permite alterar mais, ou menos, dependendo do modelo, o desenho da forma de onda adotada. Pode-se dizer que ele permite realizar um ajuste fino da forma de onda selecionada. Exemplos:

01 forma de onda - triangular
- Voodoo Lab Tremolo "II" (c.2001)
- Mooer Trelicopter (c.2012)

02 formas de onda - triangular e quadrada
- DrScientist Tremolessence (c.2005)
Electro-Harmonix Stereo Pulsar (c.2006)

03 formas de onda - senoidal, quadrada e triangular
- Seymour Duncan SFX-07 Shape Shifter (c.2007) 
- Stomp Audio Labs Waves (c.2014)

08 formas de onda
- Catalinbread Semaphore Tap Tempo Tremolo (c.2011)


Stomp Audio Labs Waves

Outros modelos, porém, oferecem 02 parâmetros - attack (ramp) e space (spacing) - , que permitem alterar separadamente o ataque das ondas e o espaçamento entre elas.

Exemplos:

02 formas de onda - senoidal e quadrada
EFX Custom Effects Tremulus Lune (c.2008?)
link do fabricante; http://efxpedais.com/loja/produtos/tremulus-lune/

03 formas de onda - senoidal, quadrada e triangular
Wampler Latitude Tremolo Deluxe (c.2014)

Ou ainda, permitem combinar diferentes partes de formas de onda - na primeira e na segunda metade da modulação da onda, respectivamente - como no inovador parâmetro ModuShape, oferecido pelo modelo Gravitas (2015), da Chase Bliss, que oferece 03 formas de onda: senoidal, triangular e quadrada.

Chase Bliss Gravitas

terça-feira, 9 de maio de 2017

Tube Screamer - Parte 1 (OVERDRIVE)

Ibanez
TUBE SCREAMER

- Parte 1 -


Ibanez Tube Screamer 
Overdrive Pro TS-808

A Origem

O Tube Screamer (numa tradução livre, algo como "gritador valvulado") é, certamente, um dos pedais mais populares de todos os tempos e, muito provavelmente, o pedal de overdrive mais famoso de todos. Seu circuito foi desenvolvido no final dos anos 1970, pelo projetista japonês Susumu Tamura, com a intenção de simular o efeito de overdrive que naturalmente é produzido quando um amplificador valvulado é forçado a trabalhar além da sua capacidade de reproduzir com fidelidade um sinal de entrada. A ideia inicial era criar um pedal que oferecesse uma clipagem mais suave e uma sonoridade mais orgânica que aquela até então apresentada por outros efeitos de saturação, como pedais de fuzzdistortions.

Projetado para enfatizar deliberadamente as frequências médias do espectro sonoro - segundo seu criador, tal curva de equalização teria sido escolhida com o objetivo de fazer com que o pedal funcionasse bem com uma variedade maior de guitarras e amplificadores -, o Tube Screamer, por consequência, mostrou-se bastante eficaz em destacar mais facilmente o som da guitarra dentro de um contexto de banda. O modelo caracteriza-se ainda por oferecer um som bastante comprimido, com uma considerável atenuação das frequências mais graves e um overdrive mais, ou menos forte, porém sempre presente.

Batizado originalmente pela Maxon como Overdrive OD-808 e pela Ibanez como Tube Screamer Overdrive Pro TS-808, o modelo entrou em cena em 1979, para competir com outros clássicos, como o MXR Distortion + (1973) e, mais diretamente, o Boss OD-1 OverDrive (1977-1985)



Ibanez Tube Screamer Overdrive Pro TS-808 vs Boss OverDrive OD-1


Apresentando um circuito similar ao do OD-1, da Boss, o Tube Screamer possui, no entanto, diferenças importantes em relação a este. As principais sendo:

- Um timbre mais suave, devido à clipagem simétrica gerada por seu circuito. Enquanto o OD-1, por sua vez, promove uma clipagem assimétrica do sinal, se aproximando mais da sonoridade produzida pela saturação das válvulas de um amplificador, oferecendo um timbre um pouco mais crunchy;

- E um controle de tonalidade, que proporciona uma maior versatilidade ao efeito. Vale ressaltar que, na sequência, em 1981, a Boss lançaria o seu primeiro pedal de overdrive com um controle de tonalidade - o SD-1 Super OverDrive.


Ibanez TS9 Tube Screamer vs Boss SD-1 Super OverDrive


 Maxon ou Ibanez?

Apesar do nome Tube Screamer aparentemente ter sido dado pela Ibanez, o fabricante original do modelo foi a Maxon. Para entendermos a relação entre estas duas empresas japonesas, vamos voltar um pouco no tempo.

Em meados dos anos 1960, foi fundada no Japão a Nisshin Onpa Seisakusho (ou Nisshin Onpa Company), uma empresa cujo foco inicial era a produção de captadores para guitarra, os quais viriam a ser distribuídos por diferentes empresas, como Aria, Ibanez e Greco. Em 1969, a companhia começou a fabricar também alguns pedais de efeito que, assim como os captadores, seriam comercializados por outras empresas. Logo em seguida, a Nisshin Onpa desenvolveu uma linha inteira de pedais de efeito compactos para guitarra e começou a comercializá-los no Japão, sob sua própria marca - a Maxon.


A Hoshino Gakki Co. (detentora de marcas importantes, como Ibanez e Tama) firmou então um acordo de licenciamento que permitia a ela comercializar essa linha de efeitos fora do Japão, sob a marca Ibanez.

Sendo assim, o Tube Screamer (incluindo suas versões clássicas, TS-808 e TS9), bem como seus antecessores imediatos (os "Overdrives" OD-850 e OD-855), comercializados pela Ibanez, foram todos fabricados e originalmente desenvolvidos pela Maxon, divisão de efeitos da Nisshin Onpa.

Em 2002, a Maxon e a Ibanez encerraram uma parceria iniciada há quase 30 anos, ainda em 1974. A Maxon seguiu comercializando os modelos originalmente desenvolvidos por seus projetistas e a Ibanez continuou a produzir os modelos que também já eram comercializados pela marca, bem como passou a desenvolver novos modelos que têm sido adicionados ao catálogo da empresa.


Os Antecessores do Tube Screamer

Como mencionado acima, antes do lançamento do Tube Screamer, a Ibanez já havia comercializado outros modelos utilizando o termo "Overdrive". Apesar dos nomes - Overdrive e Overdrive II - estes modelos pré-Tube Screamer apresentavam um nível de ganho mais elevado, se comparados aos modelos posteriores, os Tube Screamers propriamente ditos.

Ibanez Overdrive OD-850 
(a.k.a. Maxon D&S OD-801)

Lançado no Japão, em 1974, o Overdrive OD-850 ficaria mais conhecido como o "overdrive laranja da Ibanez", tendo sido reeditado no início dos anos 1980. A Maxon também comercializou o modelo, com o nome de D&S (de "Distortion & Sustainer") OD-801, reeditando-o por volta de 2000. Diferentemente do que sua cor  laranja pode sugerir - pela semelhança visual com o modelo DS-1 Distortion, da Boss, que seria lançado um pouco mais tarde, em 1978 - o modelo foi inspirado nas primeiras versões do Electro-Harmonix Big Muff π (c.1970) e, apesar de batizado como Overdrive, oferece na verdade uma sonoridade fuzzy, de alto ganho. O pedal conta com 03 controles: "sustain" (ganho), "balance" (volume) e "tone". Em 2016, o OD-850 foi reeditado pela Ibanez e, em 2017, o modelo seria disponibilizado também no formato de minipedal, com o nome de 850 Fuzz Mini.


Ibanez Overdrive OD-850 "script logo"


Ibanez Overdrive OD-850 "block logo"



Ibanez Overdrive II  OD-855
(a.k.a. Maxon D&S II OD-802)

Lançado em 1977, e reeditado em 1998, este foi o antecessor direto do Tube Screamer. Desenvolvido pela Maxon, e por ela comercializado como D&S II OD-802, o modelo também foi vendido pela Ibanez, como Overdrive II OD-855. Sendo essencialmente um overdrive-fuzz, similar em vários aspectos ao concorrente MXR Distortion + (1973), o OD-855 tende a oferecer mais ganho, mais graves e menos médios que um Tube Screamer. Apresenta também 03 controles "distortion" (ganho), "balance" (volume) e "tone".

Maxon D&S II OD-802


Ibanez Overdrive II OD-855 "block logo"



Comparando os "overdrives" da Ibanez

Ibanez Overdrive  OD-850 (fuzz "Big Muff π-style")
 vs. 
Ibanez Overdrive II OD-855 (overdrive-fuzz
vs. 
Ibanez Tube Screamer Overdrive Pro TS-808 (overdrive "clássico")

Overdrive vs Overdrive II vs Tube Screamer

Tube Screamer 

A primeira versão do modelo foi lançada em 1979. O Overdrive, da Maxon, desenvolvido por Tamura, seria comercializado como Tube Screamer, pela Ibanez, no mercado externo (ou seja, fora do Japão).

O modelo original -  TS-808 / OD-808 - foi um dos primeiros pedais de overdrive "clássico" a chegar ao mercado e se tornaria um enorme sucesso de vendas. Mas isso já é assunto para a segunda parte deste artigo...